domingo, 17 de maio de 2009

GALERA DE VAZANTE




Imagina aí uma cidade pequenina, no interior de Minas Gerais, com umas grutas sensacionais. Adicione uma festa religiosa que atrai gente do Brasil todo e até do exterior, e um festival de música. Agora, o mais importante: tenta imaginar um povo carinhoso, gente bonita, amigos. Tá, multiplica. Essa é a galera de Vazante.

Quando a gente cometeu a “insanidade” de investir mais da metade do valor que seria o 1°prêmio do festival pra ir até lá tocar uma única música, arriscar tudo sem saber no que ia dar, nem imaginamos que poderia ter sido tão legal. O festival foi ótimo, o nível surpreendeu a gente. Acabamos levando o 1° prêmio, e ainda acabamos tendo que ficar mais um dia pra abrir o show da banda GR-3 numa arena lotada – o Poliesportivo – foi demais!

Só posso dizer uma coisa: pessoal que estava lá em Vazante já mora no nosso coração!

Abraço galera... quem teve lá e tá aqui, deixa um recado aí!

“prepare o seu coração... pras coisas que eu vou contar...”

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A cada edição da Festa em Louvor a Nossa Senhora da Lapa mais e mais pessoas vem à Vazante para renovar sua fé e também participar das festividades.

Em 2009, a administração municipal trouxe três grandes shows para a programação social da festa: dia primeiro, Banda GR3 (com abertura do show feita pelo Grupo Voz, vencedor do 8 Festivaz), dia 2 Rick e Renner e dia 3 Marco e Mário.

O público compareceu em peso, lotando o estacionamento do Ginásio Poliesportivo de Vazante "Reni Soares da Cunha".


Fonte: Pref. Municipal de Vazante

sexta-feira, 8 de maio de 2009

INTEGRAIS & CAFEÍNA



Essa entrevista que estou linkando aqui no CaixaPreta foi feita pelo Diego Neves, e pra conferir o bate-papo original é só visitar o blog dele: "Integrais e Cafeína".

[Integrais & Cafeína] Quando e como foi o início do grupo, ainda aqui no RS? Vocês começaram como as bandas daqui, que tocam nos fins de semana nos pubs de Santa Maria?

[Rodrigo Londero] O VOZ começou diferente.

Nosso início foi bem underground. A primeira vez que tocamos fora da garagem foi em 1998, num lugar chamado “Cantina Deliciosa”, e era um pagodão. O repertório não era nada cult, incluía “dança da vassoura”, “segura o tchan” e por aí vai.

Passou aquele carnaval e preparamos um repertório diferenciado, com arranjos vocais e acústicos, e fomos pros barzinhos. Tocávamos no Absinto, Maccherone, Itaimbar, shoppings, shows na praça. Sem saber que já existia um grupo dos anos 80 com o mesmo nome, chamávamos “VivaVoz”.

A manha com os vocais nos abriu as portas no Coro de Câmara da UFSM, que era regido pela Zobeida Prestes. Nos “ligamos” no gênio dela, isso de ir a fundo, procurar perceber o que as músicas estavam comunicando, as entrelinhas, as dinâmicas.

Cantamos obras de Bach, Mendelssohn, Debussy, Janequin, Piazzolla, Rachmaninoff, entre outros. Em 1999, nos apresentamos no Chile, Bolívia, Peru, fomos a Machu Picchu, estivemos na Ilha de Urus, no meio do lago Titicaca, visitamos diversos santuários Incas. O Vinicius chegou a cantar na Patagônia. O grupo seguia, e com essas experiências, fomos despertando um lado mais místico.

Em 2002, montamos uma produtora clandestina com um amigo que tinha um equipamento de homestudio. Fissuramos estudando Fruityloops, Samplers, Vsti, fizemos uns 30 jingles, dublagens, trilhas, spots, locuções, e paramos.

Deixamos de lado os jingles, barzinhos, eu e o Gustavo saímos do coral. Houve um período cinzento e o grupo quase se desfez.

Em 2003, nos refugiamos novamente nos violões, tramando os acordes. O som estava diferente. Não sabíamos quais músicas iríamos fazer, mas tínhamos uma noção do que não queríamos. Foi aí que nasceu o VOZ.

A verdade é que eu e o Gustavo tínhamos 10, 12 anos quando começamos a tocar juntos. Nunca houve o papo “vamos montar uma banda”. Éramos nós e mais dois primos meus, o Vinicius entrou um pouco depois. Passamos boa parte da infância tirando música de ouvido, tocando nossa bateria toda feita de lata e papelão, era algo inocente e um tanto quanto nerd.

Nós não tivemos projetos paralelos aqui e ali. É raro encontrar grupos que tocam juntos há muitos anos. Hoje em dia, ninguém se aguenta muito tempo nas bandas - falta amor, persistência, e sobra ego, e, desse jeito, nada evolui. No meio de 2005, decidimos radicalizar, focar no grupo e pegar a estrada.

O VOZ era pra ser um quinteto, mas meus primos acabaram não seguindo conosco.


Preparamos um show autoral, gravamos demos, fizemos um material gráfico. Em Janeiro de 2006, apresentamos nosso show “Renovação, Revolução, Essência” em Santa Maria, no auditório da Cesma, e logo depois nos mudamos pra São Paulo, para começar do zero.

[I&C] Qual a primeira música composta pelo VOZ?

[RL] Dá pra considerar “Mira”, foi a primeira que teve a energia dos três na criação e arranjo.

[I&C] Como foi a chegada do VOZ na nova terra, quando buscavam fazer da música o trabalho de vocês?

[RL] A cidade é gigante e isso assusta um pouco. Nos primeiros dias, ficamos naquela burocracia de alugar apartamento. Com a grana curta, tivemos que optar entre geladeira ou internet rápida.

Em duas semanas, já estávamos conectados e correndo atrás.
Chegamos em fevereiro e só em maio estreiamos no Sesc Consolação, após muitas tentativas. São Paulo tem um circuito disputadíssimo, não é fácil entrar, então comemoramos.

O primeiro show foi trazendo os outros e a luta segue firme até hoje. Oito meses depois, compramos a geladeira.


[I&C] As dificuldades enfrentadas quando se deixa o interior do RS vão muito além do já clássico “leite-quente-que-dói-os-dente”. Qual foi a principal barreira que o grupo precisou superar ao seguir carreira longe de casa?

[RL] Foi termos que administrar tudo sozinhos no início. Tivemos que superar o fato de não termos um produtor, alguém pensando na parte de venda de shows, um técnico que conhecesse nosso som. Não sabíamos quanto cobrar, nosso mapa de palco e som continha erros, não tínhamos contatos.

Chegamos aqui com equipamentos e instrumentos amadores, sem um local nosso pra ensaiar. Hoje melhorou muito. Há uma batalha, diária e invisível, que é a construção das bases.

Nossa tática pra vencer essas dificuldades foi transformar o carinho que vem dos fãs em pressão pra trabalhar e evoluir. O VOZ não tem aquele tom popularesco apelativo, mas temos muitos fãs. E isso dá uma moral interna.

Há pessoas que viajam de longe pra ver o show. Nossos fãs são um diferencial, é um pessoal muito ligado, sensível, escreve em blogs, manda material pra rádio, participa conosco direto nos festivais. Manda e-mails, críticas, sugestões, sem frescura. Temos que “nos puxar” pra manter o nível com essa gurizada.

Quando a barreira é grande, vem a força de grupo. Isso inclui essa galera toda, essa energia chega somando e não é brincadeira, a gente aprendeu a respeitar e a valorizar muito.

[I&C] É mais do que evidente que o cenário da música no Brasil não é nada fácil, principalmente para quem não se entrega e evita fazer música puramente comercial. Vocês já sentiram vontade de, frente a tal dificuldade, deixar o sonho para trás, voltar para casa e seguir, quem sabe, outra carreira?

[RL] Não, nunca. Mesmo porque até agora só estamos crescendo, e a tendência é melhorar cada vez mais.

[I&C] E, por falar em carreira, a música é a única atividade exercida por vocês?

[RL] Sim, é a única, mas há bastante trabalho pra fazer. Tem a parte bem burocrática, registro de músicas, Ecad, OMB, contratos, escrever partituras. Também estudamos bastante a parte de estúdio, técnicas, o site é desenvolvido por nós mesmos, as imagens, e mais o lado artístico que exige bastante, desenvolvimento de projetos, arranjos, letras e músicas novas. E tem que cuidar das namoradas, isso sim que dá trabalho. (risos)

[I&C] Pelo o que pude constatar ao acompanhar o blog do grupo, “Mira” geralmente era a música escolhida para competir nos festivais pelo país. Vocês a consideram a sua “obra-prima”? Quantos festivais já foram conquistados com ela?

[RL] Não tem isso de obra-prima. “Mira” é uma música que cresceu nos festivais, pegou força. Ela tem um impacto, e a letra fala de uma revolução. O Michel Freidenson, um dos “tops” pianistas do Brasil, foi jurado no FAMPOP - Festival de Avaré/SP e nos disse : “templários, essa música de vocês nos empurrou contra a parede”.

Foi lá que o Clóvis Guerra, radialista e um dos organizadores, nos anunciou como Revelação de 2007 na Música Brasileira. Pra nós soou exagerado na hora, mas considere que já concorreram nesse festival Lenine, Zélia Duncan, Jorge Vercilo, Chico César, entre outros... acho que não havíamos percebido a dimensão do festival. Dá pra sentir o que significa essa conquista, “Mira” nos deu muito mais que prêmios.
“Vento Frio, Alma Quente” e “Girou, Febril” também são campeãs.

Ao todo, participamos de 20 Festivais e conquistamos 29 prêmios como Melhor Grupo, Melhor Intérprete, Melhor Arranjo, Melhor Música, Aclamação Popular, entre outros. Com ”Mira” conquistamos 16 troféus até agora.


[I&C] Composição é realmente um forte do VOZ. Que outros artistas foram (e são) influências nessa hora? E o que costumam ouvir na hora do “relax”?

[Vinicius Londero] Milton Nascimento, Zé Ramalho, Guilherme Arantes, Mercedes Sosa, Renato Russo, grupos vocais (14 Bis, Boca Livre, Roupa Nova, Trio Esperança, Os Cariocas, Demônios da Garoa, Take 6), os irmãos Ramil (Kleiton&Kledir e Vitor Ramil), bandas que abrem vocais como Beatles, Queen, Toto... Do samba à música clássica, são muitas as influências. Nas novas composições estamos trabalhando toques tribais, mesclando tempos em 6/8, bem inspirados nos índios do Pampa, com ritmos da Amazônia e do Nordeste. Além dos sons acústicos, estou testando um disparador de samplers e os guris estão experimentando novas sonoridades com sintetizadores controlados pelos violões. Ultimamente tenho ouvido no “relax” um CD gospel, “Accapella Hymns”, e músicas gaúchas, como as do César Oliveira e Rogério Mello, Os Fagundes. Um disco bem legal que conhecemos faz pouco tempo é “Satolep Sambatown”, do Vitor Ramil, com o Marcos Suzano. Os guris estão ouvindo bastante Almir Sater e também R&B, John Legend, sons que o Terra Preta passou pra nós.

[I&C] O Brasil inteiro pode conferir o trabalho de vocês na TV, quando participaram do Astros, programa do SBT. Foi uma surpresa para quem já ouvia. Inclusive eu, que não acompanhava o programa, assisti, torci e indiquei aos outros que acompanhassem, sempre repetindo “esses caras são daqui!”. Qual foi o impacto dessa participação na carreira de vocês?

[RL] Participar do Astros foi bom pra nós, gerou bons contatos, movimentação na internet, novos fãs. Em todos os shows e festivais que temos participado pelo Brasil, alguém reconhece: “Grupo Voz!” Até hoje as pessoas nos param na rua, direto. Marcou.

[I&C]
Na etapa classificatória do programa, os comentários foram os melhores possíveis por parte dos jurados. Já na final, ainda que tenham sido elogiados, não foram ditas mais do que algumas palavras, além do comentário “vazio” vindo do Lobão. Vocês acham que o trabalho de vocês, visivelmente superior a todos os outros apresentados naquela noite, foi pouco valorizado por uma banca que busca um som mais comercial?

[RL] Nós fomos bem valorizados, eles respeitaram o grupo. Na final, o Thomas deu parabéns por não seguirmos modismos, o Miranda ressaltou nossa atitude e a coragem de ir lá, mostrar a cara no horário nobre da TV. O Saccomani falou da nossa competência e deu um conselho, pra gente não se levar tão a sério. E o Lobão - mesmo não sendo o tipo de som que ele mais curte - ficou ali elogiando também. Não creio que tenha pesado essa questão de “ser ou não ser comercial”, até porque, no tipo de som que a gente faz, temos um excelente mercado pela frente, praticamente sem concorrência. A real é que “Mira” é uma música muito séria e acho que eles buscavam algo bem mais leve.

[I&C] Como eram os bastidores daquela competição? Como se relacionavam com os outros artistas e a produção do programa? Tinha como existir um clima de amizade entre quem buscava o prêmio?

[RL] O clima geral era tranquilo, há aquela fila, a galera vem de longe mesmo. E são muitas fases, alguns candidatos bem preocupados. No dia da final, ficamos na emissora quase o dia todo, entre ensaios, preparação, técnica, figurino, marcação, etc. O pessoal da produção super atencioso, fomos muito bem recebidos. Só com os jurados que nunca conversamos. Nos camarins, tivemos um relacionamento muito bom com os participantes, trocamos idéias com vários deles e também rolou muita música, fizemos uma versão de “Mantran” com o Rodrigo BeatBox. Encontramos os guris do Kiara seguido aqui em Sampa, e com o Terra Preta, nós começamos a compor um projeto juntos, rolou uma afinidade muito boa. Em breve deve sair novidade aí.


[I&C] Por fim, uma pergunta que já fiz algumas vezes, mas que com certeza muitos leitores esperam uma resposta: há alguma previsão de uma apresentação aqui na terra natal de vocês ainda em 2009?

[RL] Não, cara, infelizmente ainda não. Mas estamos muito a fim, vamos ver se conseguimos até o final do ano marcar um show aí no sul.

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